Inovação: quanto é necessária?

Participando do Innovators Summit 2016, evento ocorrido nos dias 5 e 6 de setembro, em São Paulo, me dei conta de quantos fundadores de micro e pequenas empresas buscam entender a tal da inovação e como trazê-la para o dia a dia dos negócios. Como muitos que leem este post sabem, inovação é algo difícil de definir – existem muitas interpretações distintas.

 

Para facilitar o entendimento das palavras a seguir, vamos partir do princípio que inovar é fazer algo diferente do que se tem visto em funcionamento no mercado e, por consequência, gerar algum valor através da aplicação de determinada iniciativa inovadora – seja valor para o cliente, para a empresa, para a sociedade, para um grupo de pessoas.

 

Além disso, a inovação pode ser incremental – como por exemplo os precursores que agregaram uma câmera fotográfica em um telefone celular. Ou, ainda pensando em serviços, que buscaram trazer um ambiente aconchegante e onde você não se sentisse apenas mais um, como em muitas cafeterias espalhadas pelo mundo.

 

A inovação pode ser também totalmente disruptiva, como a introdução de smartphones no mercado e um mundo de possibilidades através de seu uso, e mais uma vez buscando exemplos no setor de serviços, como é o modelo de negócios do Uber que afeta toda uma cadeia de negócios por anos e anos estabilizada mundialmente (os táxis).

 

Estes dois conceitos ilustram apenas duas pontas sobre as possibilidades de inovar, mas são suficientes para refletirmos com o raciocínio abaixo. Uma vez esclarecido estes pontos de uma forma bem simplista, vamos para a pergunta que não quer calar: é mesmo necessário eu me preocupar com isso em meu negócio?

 

Depende. De uma série de fatores, inclusive. Digamos que você já tenha um negócio (não digital) há um certo tempo e mais recentemente você decidiu migrar boa parte da operação para uma plataforma online ou alguma rede social que já usava. Ou ainda que você acabou de lançar um aplicativo de um negócio que já estava rodando e que não era dependente disso para faturar. Você acredita que inovou no seu negócio ou não? Salvo algumas poucas exceções, muito provavelmente não.

 

Parte do problema da inovação hoje em dia é que as pessoas, em especial os empreendedores, sentem-se tão cobrados pela própria sociedade sobre inovarem que acabam muitas vezes buscando informações muito superficiais sobre do que se trata todo o processo de inovação. E então, inspiram-se em alguns exemplos concretos de mercado, fazem o mesmo e ficam muitas vezes com o sentimento de terem inovado. Mas espere um pouco: inovar não é fazer algo diferente do que se tem visto no mercado e deve gerar valor? Agora, caso suas ações atendam estas premissas e possam ser medidas, sim, você pode dizer que inovou. Porém, mantenha em mente que inovar é acima de tudo um processo contínuo.

 

Sim, inovar é importante. Porém não deve ser encarado como mandatório só por causa da pressão do mercado. Se optar por inovar, ótimo, bom para seus negócios sem dúvida. Mas faça direito, estude, atualize-se, compreenda todo o entorno. Ou se não estiver disponível ou disposta(o) a isso, ao menos busque entender os riscos envolvidos por não abraçar a causa – que por sinal também tem seus riscos. O imprescindível é que, mesmo optando por não inovar, deve-se ao menos garantir que o seu negócio seja atualizado com frequência – e para isto é muito importante acompanhar empresas inovadoras de todos os portes e setores.

 

Se inovação não está contemplada na estratégia de sua empresa, certifique-se de que você ou pessoas de sua confiança reservem um tempo semanalmente para se atualizarem sobre as mudanças do mercado e discutam com frequência como tais mudanças refletem (ou possam vir a refletir) em seu segmento e prepare-se o quanto antes. Estar com o seu negócio simplesmente atualizado pode em muitos casos fazer mais sentido do que buscar por algo que nem sempre os ganhos são facilmente perceptíveis.

 

Cassiana Buosi tem mais de 20 anos de experiência entre as áreas de Vendas & Marketing e Design na Volkswagen do Brasil como Gerente de Projetos entre outras funções. Sócia na Crowd Envisioning, empresa de inteligência e design para o futuro de negócios. Concluiu seu MBA em Inovação e Tecnologia em 2013 pela FIA-SP com módulo cursado na Bentley University na grande Boston – EUA, é também formada em Desenho Industrial – Projeto de Produto pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em Marketing Internacional pela Universidade Metodista. Professora de Marketing de Serviços e Design de Serviços na pós-graduação da FEI (Gestão da Manutenção) desde 2007. É uma eterna Coolhunter, Design Thinker nata e desbrava novos mundos como hobby. Palestrante e Consultora on demand.

s;